estranho meu último post terminar com uma música do ben kweller que tanto significa pra mim, tendo assistido o show dele esses dias por uma pechincha e ficado encantada. acho que realmente foi um encerramento.
tive muita sorte esse ano, de ver outra banda que gosto demais, conhecer um dos meus escritores preferidos, ter as melhores férias possíveis.
tanto que parece besteira eu me lamentar por qualquer coisa.
hoje entreguei meu último trabalho da faculdade, e já deu uma tristeza. é masoquismo, mas eu queria ficar lá pra sempre, eu acho. muito de mim se vai com esse diploma, não tem como não ficar triste.
e apesar de estar livre, estou apenas livre pra começar a fazer todas as outras coisas que quero, não senti nenhum tipo de alívio, nem vontade de gritar que estou de férias.
ando enviando currículos mas com pouca fé, pois minhas experiências não são exatamente suficientes pra nenhum dos cargos que almejo. o jeito vai ser tentar outra área, em janeiro. agora, vou começar a arrumar minha casa, e dependendo do meu humor, até começar a empacotar algumas coisas.
fim de ano me dá uma depressão profunda, mas talvez esse ano eu supere isso.
de fato, i've come full circle. de tantas formas...
e de alguma maneira, acho que já vou me despedir deste blog também.
"(...) O que aconteceria é que o mundo nos engoliria rapidamente e nos deixaria doentes. Se você não escrever diariamente, os venenos se acumularão e você começará a morrer, ou a enlouquecer, ou ambos." Ray Bradbury
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
terça-feira, 13 de novembro de 2012
eu vou parar de tomar café.
eu vou parar de tomar refrigerante.
eu vou parar de comer coisas que parecem uma boa ideia na hora, mas depois me fazem passar mal.
eu vou resolver tudo o que preciso.
eu vou utilizar meu tempo de maneira sábia.
eu vou terminar minha faculdade.
eu vou fazer todos os trabalhos.
eu vou aproveitar as minhas oportunidades.
eu vou conseguir.
como eu vou!
I've come full circle.
eu vou parar de tomar refrigerante.
eu vou parar de comer coisas que parecem uma boa ideia na hora, mas depois me fazem passar mal.
eu vou resolver tudo o que preciso.
eu vou utilizar meu tempo de maneira sábia.
eu vou terminar minha faculdade.
eu vou fazer todos os trabalhos.
eu vou aproveitar as minhas oportunidades.
eu vou conseguir.
como eu vou!
I've come full circle.
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
eu tou tentando
comer bem, comer de 3 em 3 horas, comer coisas magras, cozinhar em casa, economizar dinheiro.
chegar na hora no trabalho, pegar uma rota com menos trânsito pra faculdade, fazer as coisas sem pressa, me estressar menos com esse turbilhão de gente.
planejar minhas finanças, guardar dinheiro, aproveitar a vida, ter meu tempo de lazer, me distrair, relaxar, comprar coisas boas e úteis, ir em lugares que valham a pena o dinheiro gasto.
acordar mais cedo, arrumar melhor minha casa, limpar tudo com mais frequência, ter menos preguiça, me exercitar, ter mais paciência, aproveitar melhor meu tempo.
ler as coisas da faculdade, ler por prazer, estudar espanhol.
cuidar melhor de mim mesma, me manter equilibrada, não desanimar, manter o humor, superar o inevitável.
ser mais realista, ser mais esperta.
marcar meus compromissos, encontrar amigos, ter tempo para conversar.
ouvir música, escrever, desenhar, descansar?
LEMBRAR O QUE EU TENHO DE FAZER. NUNCA ESQUECER.
chegar na hora no trabalho, pegar uma rota com menos trânsito pra faculdade, fazer as coisas sem pressa, me estressar menos com esse turbilhão de gente.
planejar minhas finanças, guardar dinheiro, aproveitar a vida, ter meu tempo de lazer, me distrair, relaxar, comprar coisas boas e úteis, ir em lugares que valham a pena o dinheiro gasto.
acordar mais cedo, arrumar melhor minha casa, limpar tudo com mais frequência, ter menos preguiça, me exercitar, ter mais paciência, aproveitar melhor meu tempo.
ler as coisas da faculdade, ler por prazer, estudar espanhol.
cuidar melhor de mim mesma, me manter equilibrada, não desanimar, manter o humor, superar o inevitável.
ser mais realista, ser mais esperta.
marcar meus compromissos, encontrar amigos, ter tempo para conversar.
ouvir música, escrever, desenhar, descansar?
LEMBRAR O QUE EU TENHO DE FAZER. NUNCA ESQUECER.
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
wishes and stars
Everyone seems so certain
Everyone knows who they are
Everyone's got a mother and a father
They all seem so sure they're going far
They all got more friends than they can use
Except me cause I'm a fool
I'm as simple as a bee
As a melody in C
But it don't matter
There are more wishes than stars
eu resolvi olhar pelos buraquinhos da janela pra ver se via o mundo.
nós parecemos uns idiotas, procurando ouro onde não há.
há quatro anos atrás eu era um protótipo de alguém, eu lia educação sentimental madrugada adentro, eu assistia aulas de pós-graduação, eu achava que tinha futuro.
me lembrar disso agora é lamentável. não dá pra saber o que é certo, mas eu tinha muito mais convicção do que hoje.
eu, que não consigo ler um texto teórico do início ao fim.
minha atenção foi pro lixo, junto com a minha sanidade mental.
***
eu não consigo imaginar um mundo ideal que não envolva o intelecto. talvez seja esse o motivo da minha frustração. talvez minha antiga frustração tenha voltado.
eu, que demorei sei lá, 2 anos pra me reconstituir. ainda em pedaços.
o mundo não é pra mim, tento me lembrar.
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
4, 5 da manhã. assistindo filmes que dilaceravam meu coração.
chocada com a violência trivial do nosso mundo.
essa era eu. eu e só eu, e eu tinha uma janela pela qual olhar, e às vezes, tão tarde da noite, eu via algum lunático solitário andando de carro pela universidade.
às vezes eu grudava meu rosto na parede e na janela, esperando ouvir algum som.
my heartbreaking life.
eu caminhava sozinha por lugares escuros e nada seguros, procurando as estrelas no céu.
de longe, eu via luzes. hoje eu sei de onde elas vêm, e pra lá não quero ir.
voltar sozinha pra casa acelerava meu coração.
será que dá pra morrer de melancolia? eu me deitava no chão e esperava pra ver.
eu passava dias na cama. e as imagens brilhavam no computador.
leave it behind.
hoje em dia eu acho que não faço parte nem do meu próprio clube.
acabou pra mim. não há cadeira que eu possa puxar pra sentar, junto aos comuns.
eu só posso rezar pela insônia. ouvir o nada novamente.
me sentir mal no dia seguinte, mas mal de um jeito que dá pra viver, até chegar em casa de novo. no lar onde eu sei que não tenho lar. sendo uma estranha pra mim mesma. me distanciando de tudo o que era certo.
e chamam isso de vida.
chocada com a violência trivial do nosso mundo.
essa era eu. eu e só eu, e eu tinha uma janela pela qual olhar, e às vezes, tão tarde da noite, eu via algum lunático solitário andando de carro pela universidade.
às vezes eu grudava meu rosto na parede e na janela, esperando ouvir algum som.
my heartbreaking life.
eu caminhava sozinha por lugares escuros e nada seguros, procurando as estrelas no céu.
de longe, eu via luzes. hoje eu sei de onde elas vêm, e pra lá não quero ir.
voltar sozinha pra casa acelerava meu coração.
será que dá pra morrer de melancolia? eu me deitava no chão e esperava pra ver.
eu passava dias na cama. e as imagens brilhavam no computador.
leave it behind.
hoje em dia eu acho que não faço parte nem do meu próprio clube.
acabou pra mim. não há cadeira que eu possa puxar pra sentar, junto aos comuns.
eu só posso rezar pela insônia. ouvir o nada novamente.
me sentir mal no dia seguinte, mas mal de um jeito que dá pra viver, até chegar em casa de novo. no lar onde eu sei que não tenho lar. sendo uma estranha pra mim mesma. me distanciando de tudo o que era certo.
e chamam isso de vida.
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
D.
meu pai me mandou uma sms hoje. meu pai e eu, nós somos muito parecidos no fim das contas. nós não gostamos lá muito de falar no telefone, nós conversamos sobre música antiga.
pois bem, convidei-o a escutar simon & garfunkel, cada um do seu canto no mundo. e assim que começou el condor pasa, já não aguentei. comecei a chorar.
meu pai e eu somos parecidos porque sofremos. porque bebemos e escutamos música sozinhos. ninguém mais está interessado.
meu pai e eu, nós queríamos poder viver no mundo do nosso jeito, fazer o que sabemos melhor. mas é cada dia mais difícil viver, e ser.
eu sei e tenho certeza de que minhas expectativas pro mundo são grandes demais, que essa minha atitude, no fundo, é deveras arrogante. mas essa é a minha vida. geralmente ela só existe nesse espaço entre o meu corpo e o papel. no papel, não sei dar vazão aos meus pensamentos do jeito que gostaria. na vida, falta um pouco do impossível que pode florescer no papel.
mas se trata desse movimento, a minha vida.
tenho estado deprimida, como sempre. quanto mais eu chego perto das coisas, mais eu não sei o que fazer.
so let us down, if you must
but let us down easy, lord...
pois bem, convidei-o a escutar simon & garfunkel, cada um do seu canto no mundo. e assim que começou el condor pasa, já não aguentei. comecei a chorar.
meu pai e eu somos parecidos porque sofremos. porque bebemos e escutamos música sozinhos. ninguém mais está interessado.
meu pai e eu, nós queríamos poder viver no mundo do nosso jeito, fazer o que sabemos melhor. mas é cada dia mais difícil viver, e ser.
eu sei e tenho certeza de que minhas expectativas pro mundo são grandes demais, que essa minha atitude, no fundo, é deveras arrogante. mas essa é a minha vida. geralmente ela só existe nesse espaço entre o meu corpo e o papel. no papel, não sei dar vazão aos meus pensamentos do jeito que gostaria. na vida, falta um pouco do impossível que pode florescer no papel.
mas se trata desse movimento, a minha vida.
tenho estado deprimida, como sempre. quanto mais eu chego perto das coisas, mais eu não sei o que fazer.
so let us down, if you must
but let us down easy, lord...
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
estou cansada. cansada da montanha russa emocional que segue sempre os mesmos meandros.
cansada do tempo ruim, que me deixa mais cansada e com mais vontade de dormir.
cansada de dormir. cansada de ignorar tudo ao meu redor. cansada de estar cansada.
cansada do inconveniente, mesmo me escondendo dentro da minha casinha.
cansada de tentar ignorar tudo e ser feliz, no meu esconderijo.
pra todos esses momentos, cada vez mais tenho certeza de que a escrita é a solução. mas não é fácil. nada é nada. e eu não sei nem mais tecer uma história com um mínimo de sentido.
não sei mais me articular. processar informações.
isso é o quão cansada eu estou.
e a vida é tão aleatória. eu sou só um brinquedinho, caindo pra lá e pra cá.
eu estou doente. doente de tudo o que sou.
Vomitar esse tédio sobre a cidade.
eu queria pelo menos me espalhar sobre a cidade. me espalhar sobre o papel. não o computador.
eu queria me ler novamente, me ler por completo.
eu queria que tivessem me escrito, esse capítulo da minha vida. ou então apenas escrevê-lo.
mas eu ainda não estou pronta.
por enquanto, pego a minha bolsa e ando pela brisa da noite.
cansada do tempo ruim, que me deixa mais cansada e com mais vontade de dormir.
cansada de dormir. cansada de ignorar tudo ao meu redor. cansada de estar cansada.
cansada do inconveniente, mesmo me escondendo dentro da minha casinha.
cansada de tentar ignorar tudo e ser feliz, no meu esconderijo.
pra todos esses momentos, cada vez mais tenho certeza de que a escrita é a solução. mas não é fácil. nada é nada. e eu não sei nem mais tecer uma história com um mínimo de sentido.
não sei mais me articular. processar informações.
isso é o quão cansada eu estou.
e a vida é tão aleatória. eu sou só um brinquedinho, caindo pra lá e pra cá.
eu estou doente. doente de tudo o que sou.
Vomitar esse tédio sobre a cidade.
eu queria pelo menos me espalhar sobre a cidade. me espalhar sobre o papel. não o computador.
eu queria me ler novamente, me ler por completo.
eu queria que tivessem me escrito, esse capítulo da minha vida. ou então apenas escrevê-lo.
mas eu ainda não estou pronta.
por enquanto, pego a minha bolsa e ando pela brisa da noite.
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
a maldição do oitavo post
parece que virou tradição pra mim parar no oitavo post de um novo blog. como constância não é muito o meu forte, já havia me resignado. porém, cá estou para dar seguimento.
estive praticamente de férias novamente, volto em breve a trabalhar, mas ainda viajo e passo uns dias sem fazer muito. me senti como se tivesse que aproveitar do jeito que pudesse, essa repentina liberdade que vai antecipar a loucura de um último semestre, estágio, e talvez ano em são paulo.
acho que eu lidei bem.
e nesse meio tempo, estive tentando. comendo legumes. tentando balancear minha alimentação.
eu estive mudando meus hábitos de compras, tentando comer mais em casa, etc.
certo dia, resolvi escrever no meu "diário". e foi bom, basicamente prestei contas comigo mesma, mas também tive a chance de reler algumas coisas e pensar que meus problemas essencialmente são os mesmos. mas o bonito é que algumas coisas foram mudando. sempre aos poucos. de passinho em passinho.
e aí hoje voltou minha megalomania, que é completamente inoportuna, sendo que preciso fazer diversas coisas da faculdade e voltei a comprar livros, quero ler livros, livros e livros.
consegui começar e terminar um do roth. comecei um novo.
na minha cama com um livro, me senti no meu habitat natural.
mas, ao mesmo tempo, reconheço que é importante pra mim meu estágio, sair de casa, fazer o tempo correr, aproveitar melhor o tempo, evitar muitas horas na cama pra não me derrubar.
e lá vamos nós de volta pra rotina.
eu tava me sentindo bem, quase nada estressada e de bem com o meu ser.
espero que quando voltar ao ritmo normal, possa me lembrar de dias mais tranquilos, às vezes isso basta.
não tem passado muita coisa pela minha cabeça, talvez tenha sido bom passar um tempo reciclando minha mente, dando um tempo pra ver certas coisas melhor.
mas, de fato, meu humor tem estado mais pro deprimido. talvez este também seja meu estado natural. eu e as minhas músicas, e minha alegriazinha de possuir um ser deveras melancólico.
Look at me
Who am I supposed to be?
Who am I supposed to be?
Look at me
What am I supposed to be?
What am I supposed to be?
Look at me...
estive praticamente de férias novamente, volto em breve a trabalhar, mas ainda viajo e passo uns dias sem fazer muito. me senti como se tivesse que aproveitar do jeito que pudesse, essa repentina liberdade que vai antecipar a loucura de um último semestre, estágio, e talvez ano em são paulo.
acho que eu lidei bem.
e nesse meio tempo, estive tentando. comendo legumes. tentando balancear minha alimentação.
eu estive mudando meus hábitos de compras, tentando comer mais em casa, etc.
certo dia, resolvi escrever no meu "diário". e foi bom, basicamente prestei contas comigo mesma, mas também tive a chance de reler algumas coisas e pensar que meus problemas essencialmente são os mesmos. mas o bonito é que algumas coisas foram mudando. sempre aos poucos. de passinho em passinho.
e aí hoje voltou minha megalomania, que é completamente inoportuna, sendo que preciso fazer diversas coisas da faculdade e voltei a comprar livros, quero ler livros, livros e livros.
consegui começar e terminar um do roth. comecei um novo.
na minha cama com um livro, me senti no meu habitat natural.
mas, ao mesmo tempo, reconheço que é importante pra mim meu estágio, sair de casa, fazer o tempo correr, aproveitar melhor o tempo, evitar muitas horas na cama pra não me derrubar.
e lá vamos nós de volta pra rotina.
eu tava me sentindo bem, quase nada estressada e de bem com o meu ser.
espero que quando voltar ao ritmo normal, possa me lembrar de dias mais tranquilos, às vezes isso basta.
não tem passado muita coisa pela minha cabeça, talvez tenha sido bom passar um tempo reciclando minha mente, dando um tempo pra ver certas coisas melhor.
mas, de fato, meu humor tem estado mais pro deprimido. talvez este também seja meu estado natural. eu e as minhas músicas, e minha alegriazinha de possuir um ser deveras melancólico.
Look at me
Who am I supposed to be?
Who am I supposed to be?
Look at me
What am I supposed to be?
What am I supposed to be?
Look at me...
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
beware of darkness
I never knew that life was loaded
I'd only hung around birds and bees
I never knew that things exploded
I only found it out when I was down upon my knees
Looking for my life.
Eu tou tentando. Eu estou indo nos médicos. Confesso que detesto o método de tentativas e erros dos médicos, mas paciência. Muita paciência pra todos nós.
Eu não ia escrever hoje, tinha chegado à conclusão de que não tinha nada pra dizer. Cheguei em casa e dormi, dormi demais, sonhei que estava acordando diversas vezes, o que é uma das minhas sensações mais esquisitas na vida. Acordei meio desnorteada, e ainda confusa, perdida.
Eu me deixei levar pelas coisas. No fim do dia, além da dor de cabeça, me senti muito frustrada, senti que havia me entregado. É como estar na marcha automática, mas no sentido mais negativo possível.
Well, you do what you can
You can't do much more than that
E aí eu me dei conta de que não somos mais do que fantoches. As pessoas falam sobre tomar o controle da sua própria vida, mas isso, a meu ver, é no sentido de render mais, dar mais dinheiro pra quem já tem, e com menos gastos. Uma pessoa que funciona bem, funciona bem pelo bem do seu empregador, ou da instância acima dela. Eu acho que o controle que se deve ter seria no sentido de não deixar tomarem vantagem de você, muito menos por tão pouco. Se preservar, de verdade.
Continuo um pouco estressada. Mas eu vi uma foto do George Harrison sorrindo, e isso já bastou pra me levar pra outro lugar. E aí eu me lembrei que uma música como Cockamamie Business existe! Eu gostaria de assinar embaixo dessa letra e levar comigo numa pasta. Que sorte ter acesso às músicas do George. Que maravilha é a presença dele.
Isn't it a pity
Isn't it a shame
How we break each other's hearts
And cause each other pain
How we take each other's love
Without thinking anymore
Forgetting to give back
Isn't it a pity
Without thinking anymore. That's it, George. Eu acho que, com o meu blog, com o ato de escrever, eu consigo ter uma consciência mais viva das coisas. Sempre soube que escrever era esse ato, capaz de mudar tudo, mas pra sentar e escrever tudo o que importa, é preciso paciência e realmente querer...
I'd only hung around birds and bees
I never knew that things exploded
I only found it out when I was down upon my knees
Looking for my life.
Eu tou tentando. Eu estou indo nos médicos. Confesso que detesto o método de tentativas e erros dos médicos, mas paciência. Muita paciência pra todos nós.
Eu não ia escrever hoje, tinha chegado à conclusão de que não tinha nada pra dizer. Cheguei em casa e dormi, dormi demais, sonhei que estava acordando diversas vezes, o que é uma das minhas sensações mais esquisitas na vida. Acordei meio desnorteada, e ainda confusa, perdida.
Eu me deixei levar pelas coisas. No fim do dia, além da dor de cabeça, me senti muito frustrada, senti que havia me entregado. É como estar na marcha automática, mas no sentido mais negativo possível.
Well, you do what you can
You can't do much more than that
E aí eu me dei conta de que não somos mais do que fantoches. As pessoas falam sobre tomar o controle da sua própria vida, mas isso, a meu ver, é no sentido de render mais, dar mais dinheiro pra quem já tem, e com menos gastos. Uma pessoa que funciona bem, funciona bem pelo bem do seu empregador, ou da instância acima dela. Eu acho que o controle que se deve ter seria no sentido de não deixar tomarem vantagem de você, muito menos por tão pouco. Se preservar, de verdade.
Continuo um pouco estressada. Mas eu vi uma foto do George Harrison sorrindo, e isso já bastou pra me levar pra outro lugar. E aí eu me lembrei que uma música como Cockamamie Business existe! Eu gostaria de assinar embaixo dessa letra e levar comigo numa pasta. Que sorte ter acesso às músicas do George. Que maravilha é a presença dele.
Isn't it a pity
Isn't it a shame
How we break each other's hearts
And cause each other pain
How we take each other's love
Without thinking anymore
Forgetting to give back
Isn't it a pity
Without thinking anymore. That's it, George. Eu acho que, com o meu blog, com o ato de escrever, eu consigo ter uma consciência mais viva das coisas. Sempre soube que escrever era esse ato, capaz de mudar tudo, mas pra sentar e escrever tudo o que importa, é preciso paciência e realmente querer...
domingo, 19 de agosto de 2012
the sound of sunday.
hoje, então, completei uma semana escrevendo. não é que eu tenha perdido horas do meu tempo, tem sido um processo relativamente tranquilo, os meus únicos problemas são a voz que surge quando escrevo e o medo de parecer incrivelmente banal.
talvez eu não possa mais escrever todos os dias, pode ser que viaje, e deveria me focar nas minhas leituras, mas qualquer coisa eu também sempre tenho meus cadernos.
eu fui dormir às 10h da manhã, hoje. curiosamente, não me senti mal nem nada, fora o sono incrível. às 7h da manhã, só era eu tentando ficar acordada, e a luz entrando pelas janelas, e a paz dominical.
os domingos geralmente são relativamente silenciosos.
mas algo estava fora de ordem. primeiro, em são paulo, domingo é um dia agitado pra uma grande parcela de pessoas que trabalham e já estão correndo desde cedo. segundo, ao chegar em casa, eu vi lixo, lixo e mais lixo. e os garis limpando a bagunça dos adolescentes da noite anterior. um grande número de garrafas quebradas. me parece que faltou um pouco de delicadeza por aí.
segue a obra na minha rua, mas uma parte está interditada. a rua é minha, pra atravessar sem nem olhar pros lados.
ontem eu quis beber, esquecer um pouco de tudo e todos; mas curiosamente, a certo ponto da noite, percebi que companhia agradável já é algo capaz de trazer alegria e bem-estar.
eu também pensei que somos uns seres um pouco bestas, um pouco frágeis, e suscetíveis a qualquer aparente oportunidade ou golpe de sorte. assim é a disposição humana, fugidia, errante.
mas quando você sabe o que quer, ou pensa que sabe, as coisas são mais simples.
mesmo assim, estamos sempre rodeados de MEDO: medo de dar errado, medo de queimar a cara, medo de parecer algo que teoricamente não somos.
no entanto, não há nada mal em ser consistente. ter fibra e coragem.
eu me sinto velha. mas é mais uma constatação serena do que tudo.
mas não há mais nada de errado em completar o branco com palavras.
talvez eu não possa mais escrever todos os dias, pode ser que viaje, e deveria me focar nas minhas leituras, mas qualquer coisa eu também sempre tenho meus cadernos.
eu fui dormir às 10h da manhã, hoje. curiosamente, não me senti mal nem nada, fora o sono incrível. às 7h da manhã, só era eu tentando ficar acordada, e a luz entrando pelas janelas, e a paz dominical.
os domingos geralmente são relativamente silenciosos.
mas algo estava fora de ordem. primeiro, em são paulo, domingo é um dia agitado pra uma grande parcela de pessoas que trabalham e já estão correndo desde cedo. segundo, ao chegar em casa, eu vi lixo, lixo e mais lixo. e os garis limpando a bagunça dos adolescentes da noite anterior. um grande número de garrafas quebradas. me parece que faltou um pouco de delicadeza por aí.
segue a obra na minha rua, mas uma parte está interditada. a rua é minha, pra atravessar sem nem olhar pros lados.
ontem eu quis beber, esquecer um pouco de tudo e todos; mas curiosamente, a certo ponto da noite, percebi que companhia agradável já é algo capaz de trazer alegria e bem-estar.
eu também pensei que somos uns seres um pouco bestas, um pouco frágeis, e suscetíveis a qualquer aparente oportunidade ou golpe de sorte. assim é a disposição humana, fugidia, errante.
mas quando você sabe o que quer, ou pensa que sabe, as coisas são mais simples.
mesmo assim, estamos sempre rodeados de MEDO: medo de dar errado, medo de queimar a cara, medo de parecer algo que teoricamente não somos.
no entanto, não há nada mal em ser consistente. ter fibra e coragem.
eu me sinto velha. mas é mais uma constatação serena do que tudo.
mas não há mais nada de errado em completar o branco com palavras.
sábado, 18 de agosto de 2012
Demian
Hoje eu consegui dormir em meio a obras de madrugada, gente buzinando sem fim, gente gritando. Acordei pronta pra outra, espreguicei, e dormi um pouco mais, porque é sábado e cá estou eu: viva e seguindo mais um dia.
Ontem eu encontrei as cartas da Marianinha, e o assunto comum de todas elas era o nosso querido Demian, do Hermann Hesse. Imediatamente eu soube que as coisas não iriam parar por aí.
Quem quiser nascer tem que destruir um mundo.
O Hesse botou as coisas em termos simples, assim. E era do Hesse que eu precisava.
Quando eu entrei na faculdade, eu achei que tinha achado o meu lugar. Eu achei pessoas legais. Imediatamente me senti um Sinclair, "voltando" pra casa, ou seja, se reunindo com Max e Eva. E essa é a parte que sempre me chamou a atenção, como se eu fosse achar minha casa, em algum lugar. Way over yonder. Agora eu não sei se isso é mais possível, mas ao mesmo tempo, a minha casa está dentro de mim. E é o que eu preciso lembrar dia após dia, nada está além de mim, tudo está aqui. Fique calma, e olhe pra dentro.
E quando as coisas chegam ao ponto em que chegaram, assim como a fênix, é hora de renascer.
Se o meu mundo tiver que ser um romance, que seja um bildungsroman.
Without going outside, you may know the whole world.
Without looking through the window, you may see the ways of heaven.
The farther you go, the less you know.
Thus the sage knows without traveling;
He sees without looking;
He works without doing.
Ontem eu encontrei as cartas da Marianinha, e o assunto comum de todas elas era o nosso querido Demian, do Hermann Hesse. Imediatamente eu soube que as coisas não iriam parar por aí.
Quem quiser nascer tem que destruir um mundo.
O Hesse botou as coisas em termos simples, assim. E era do Hesse que eu precisava.
Quando eu entrei na faculdade, eu achei que tinha achado o meu lugar. Eu achei pessoas legais. Imediatamente me senti um Sinclair, "voltando" pra casa, ou seja, se reunindo com Max e Eva. E essa é a parte que sempre me chamou a atenção, como se eu fosse achar minha casa, em algum lugar. Way over yonder. Agora eu não sei se isso é mais possível, mas ao mesmo tempo, a minha casa está dentro de mim. E é o que eu preciso lembrar dia após dia, nada está além de mim, tudo está aqui. Fique calma, e olhe pra dentro.
E quando as coisas chegam ao ponto em que chegaram, assim como a fênix, é hora de renascer.
Se o meu mundo tiver que ser um romance, que seja um bildungsroman.
Without going outside, you may know the whole world.
Without looking through the window, you may see the ways of heaven.
The farther you go, the less you know.
Thus the sage knows without traveling;
He sees without looking;
He works without doing.
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
it's getting better all the time
estou prestes a pegar folga do meu trabalho. do infortúnio, eis que me surge uma felicidade.
é bom pra respirar (e resolver trezentas outras coisas que eu estava renegando porque tinha que cumprir minhas horas de estágio).
depois de toda uma odisseia, que, meus caros, é nada mais nada menos do que um dia na vida, eu cheguei a uma conclusão importante. não é que eu não goste de certas pessoas. eu não gosto é da posição em que ficamos. onde um tem que ser assim, outro assado. ninguém para pra pensar, talvez seja demais, mas na bola de neve que as coisas tendem a se tornar, talvez valha a pena ser sensato, agradável.
cheguei em casa hoje e peguei minhas cartas: contas a pagar & etc. vim abrindo os envelopes, e um homem consultando um palm também esperava o elevador; eu dei aquele espasmo facial que significa um reconhecimento de que há outro humano no mesmo recinto que eu, mas por algum motivo, o homem me pareceu muito simpático e sei lá, jovem, apesar de ser bem mais velho, da idade do meu pai talvez. eis que subimos, eu lendo minhas coisas, e ao chegar no terceiro andar, esse moço vira, olha pra minha cara, sorri e diz "tchau". eu já estava predisposta a ser mais legal, mas diante de tanta simpatia, por que não? dei o meu melhor.
algumas pessoas que eu costumava simplesmente não ir com a cara, me parecem ok. eu não sei quanto tempo esse meu humor mais simples e clean vai durar, sinceramente. eu continuo ainda suscetível ao stress, mas as outras pessoas, elas só são. se elas são assim, é por algum motivo na existência delas, não que eu queira exatamente destrinchar isso (o que na verdade é o trabalho dos romancistas), mas eu também não estou lá dentro da cabeça delas pra saber. geralmente, trata-se de uma realidade distinta da minha.
e foi assim que eu resolvi escrever meu post de hoje, partindo do inesperado, da boa vontade alheia, da benevolência que faz com que alguém não decida ser antipático com você por qualquer motivo.
na verdade eu estou bem cansada, querendo o meu grupo pra me refugiar do banal; mas esse tipo de equilíbrio cósmico acho que só me será reservado numa outra realidade, em outro plano.
é isso que acontece, a gente acha que a vida tem que ser que nem nos livros. mas ponto pra quem pensa assim. exijamos o impossível.
é bom pra respirar (e resolver trezentas outras coisas que eu estava renegando porque tinha que cumprir minhas horas de estágio).
depois de toda uma odisseia, que, meus caros, é nada mais nada menos do que um dia na vida, eu cheguei a uma conclusão importante. não é que eu não goste de certas pessoas. eu não gosto é da posição em que ficamos. onde um tem que ser assim, outro assado. ninguém para pra pensar, talvez seja demais, mas na bola de neve que as coisas tendem a se tornar, talvez valha a pena ser sensato, agradável.
cheguei em casa hoje e peguei minhas cartas: contas a pagar & etc. vim abrindo os envelopes, e um homem consultando um palm também esperava o elevador; eu dei aquele espasmo facial que significa um reconhecimento de que há outro humano no mesmo recinto que eu, mas por algum motivo, o homem me pareceu muito simpático e sei lá, jovem, apesar de ser bem mais velho, da idade do meu pai talvez. eis que subimos, eu lendo minhas coisas, e ao chegar no terceiro andar, esse moço vira, olha pra minha cara, sorri e diz "tchau". eu já estava predisposta a ser mais legal, mas diante de tanta simpatia, por que não? dei o meu melhor.
algumas pessoas que eu costumava simplesmente não ir com a cara, me parecem ok. eu não sei quanto tempo esse meu humor mais simples e clean vai durar, sinceramente. eu continuo ainda suscetível ao stress, mas as outras pessoas, elas só são. se elas são assim, é por algum motivo na existência delas, não que eu queira exatamente destrinchar isso (o que na verdade é o trabalho dos romancistas), mas eu também não estou lá dentro da cabeça delas pra saber. geralmente, trata-se de uma realidade distinta da minha.
e foi assim que eu resolvi escrever meu post de hoje, partindo do inesperado, da boa vontade alheia, da benevolência que faz com que alguém não decida ser antipático com você por qualquer motivo.
na verdade eu estou bem cansada, querendo o meu grupo pra me refugiar do banal; mas esse tipo de equilíbrio cósmico acho que só me será reservado numa outra realidade, em outro plano.
é isso que acontece, a gente acha que a vida tem que ser que nem nos livros. mas ponto pra quem pensa assim. exijamos o impossível.
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
people who do things
na última vez que minha mãe veio aqui, foi só eu sair de casa, que ela largou o livrinho no sofá e foi direto limpar tudo o que era absurdo eu não ter limpado. voltei, o almoço estava pronto e ela tinha provavelmente tricotado um pouco. mas minha mãe também sofre de melancolia quando o dia está muito frio...
será que a minha mãe me criou? eu não me lembro de ela ter me ensinado quase nada. a não ser quando eu comecei a perguntar. eu gosto da minha mãe, ela é uma das únicas pessoas que vão sempre me aceitar num estado bruto, sem exigir muito em retorno. mas eu me sinto como um potinho de células se multiplicando em um canto designado.
eu não posso pretender me classificar como uma pessoa-que-faz-coisas.
é claro, eu não tou também o dia inteiro brincando, as coisas que eu faço geralmente estão dentro da minha cabeça. o dia inteiro, planejando e executando meu dia. pensando nas coisas. repensando nas coisas. pensando por outro lado. minha mãe sabe que existe um motivo pra haver 250 livros ou mais aqui em casa (vim comprando durante os últimos 5 anos - dá 50 por ano).
e esses dias eu estava conversando com D, e cheguei à conclusão final sobre minha vida: eu espero mudar quase que radicalmente muito em breve. eu não tou só matando tempo, eu só preciso das condições. e por enquanto eu tenho tanto pra ler pra faculdade, que eu deveria ser alguém que não faz nada mesmo. se eu quiser me formar.
e ontem dei de cara com uma das citações mais úteis que eu poderia encontrar: "Novels begin, not on the page, but in meditation and day-dreaming - in thinking, not writing."
eu posso não ser uma escritora, mas minha alma com certeza é de uma.
não poderia estar certo, ter crescido sozinha, brincado sozinha, me virado sozinha. meus amigos cresceram num ritmo; eu, em outro. talvez em outra dimensão.
talvez eu tenha puxado mais minha madrinha do que minha mãe. apesar de ter sido frequentemente repreendida por ficar no meu quarto (quer filho mais pacífico que eu?), não é o quarto, sou eu.
hoje em dia eu sou a pessoa que faz um pouquinho mais de coisas. no seu próprio ritmo, distraída. e fazer coisas também é bom pra pensar.
talvez, com o tempo, eu me torne minha mãe, me torne mais e mais responsável e faça mais e mais.
eu acho que as coisas talvez mudem tanto, que eu já sinto falta da minha malemolência, da minha neurose e dos meus livros, da minha cama.
talvez eu esteja nos meus últimos meses de jovem despreocupada.
eu acho que estou até um pouco animada, e dessa vez, pretendo me aplicar.
mas quem sou eu pra afirmar o futuro, me pergunto. o que eu sei é o agora. o resto é estória.
será que a minha mãe me criou? eu não me lembro de ela ter me ensinado quase nada. a não ser quando eu comecei a perguntar. eu gosto da minha mãe, ela é uma das únicas pessoas que vão sempre me aceitar num estado bruto, sem exigir muito em retorno. mas eu me sinto como um potinho de células se multiplicando em um canto designado.
eu não posso pretender me classificar como uma pessoa-que-faz-coisas.
é claro, eu não tou também o dia inteiro brincando, as coisas que eu faço geralmente estão dentro da minha cabeça. o dia inteiro, planejando e executando meu dia. pensando nas coisas. repensando nas coisas. pensando por outro lado. minha mãe sabe que existe um motivo pra haver 250 livros ou mais aqui em casa (vim comprando durante os últimos 5 anos - dá 50 por ano).
e esses dias eu estava conversando com D, e cheguei à conclusão final sobre minha vida: eu espero mudar quase que radicalmente muito em breve. eu não tou só matando tempo, eu só preciso das condições. e por enquanto eu tenho tanto pra ler pra faculdade, que eu deveria ser alguém que não faz nada mesmo. se eu quiser me formar.
e ontem dei de cara com uma das citações mais úteis que eu poderia encontrar: "Novels begin, not on the page, but in meditation and day-dreaming - in thinking, not writing."
eu posso não ser uma escritora, mas minha alma com certeza é de uma.
não poderia estar certo, ter crescido sozinha, brincado sozinha, me virado sozinha. meus amigos cresceram num ritmo; eu, em outro. talvez em outra dimensão.
talvez eu tenha puxado mais minha madrinha do que minha mãe. apesar de ter sido frequentemente repreendida por ficar no meu quarto (quer filho mais pacífico que eu?), não é o quarto, sou eu.
hoje em dia eu sou a pessoa que faz um pouquinho mais de coisas. no seu próprio ritmo, distraída. e fazer coisas também é bom pra pensar.
talvez, com o tempo, eu me torne minha mãe, me torne mais e mais responsável e faça mais e mais.
eu acho que as coisas talvez mudem tanto, que eu já sinto falta da minha malemolência, da minha neurose e dos meus livros, da minha cama.
talvez eu esteja nos meus últimos meses de jovem despreocupada.
eu acho que estou até um pouco animada, e dessa vez, pretendo me aplicar.
mas quem sou eu pra afirmar o futuro, me pergunto. o que eu sei é o agora. o resto é estória.
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
the home where i hide away from all the darkness outside
Et contre l'implacable
Contre le vacarme du diable
Trouvons du temps pour l'impossible
Pour l'inespéré, pour l'imprévisible
Ando me sentindo mal, no sentido mais físico da palavra. Um dia desses, fui comentar a situação do meu local de trabalho com uma colega, e ela disse: "Calma que vai piorar". E eu sei.
Mas por algum motivo, já há uma confluência de infortúnios que ou eu resolvi ressaltar cada vez mais, ou está atingindo também vizinhos, amigos, colegas. O fato é que ontem eu não consegui me mover muito, hoje, cheguei em casa tal qual um espantalho.
Essas coisas geralmente me deprimem, que nem passar mal sem motivo, se eu não sei nem descrever exatamente o que se passa comigo, quem dirá o médico?
- O que você tem?
- Então, sei lá.
Ou talvez eu só esteja sofrendo de tudo-o-que-há-de-errado-comigo, hipótese bastante plausível.
Mas hoje, após ser bombardeada com tudo o que há de mais aleatório e nonsense na vida, eu só queria chegar em casa, eu pensava em coisas como "é só você ficar quietinha por mais meia hora aqui que você vai embora", o que, convenhamos, é o que há de mais bovino no mundo. Mas isso fica pra outra hora.
Hoje, resolvi compartilhar minhas impressões com a Camila, e a bonita me disse que eu deveria escrever todo dia. Então cá estou, a minha vontade era a de chegar e pular na cama e lá permanecer por décadas, frustrada porque não consigo ler mais do que duas páginas de Jane Eyre por vez, me dissolvendo em cansaço e todo o stress que gosta de se acumular em mim. Mas por algum motivo, me veio esta música da Carla Bruni, e instantaneamente botei pra tocar e me senti melhor, me concentrei nas cores e nas coisas alegres que tenho em casa, meu esmalte novo, meu convencimento de que sei falar francês (curiosamente, só se dá com as músicas da Carla!), os poemas musicados.
And I'll forget the way of tears
And rock, and stir my tea...
E eu me dei conta de que conheço pessoas maravilhosas, pra quem eu me dei ao trabalho de escrever essas linhas, de não me derrotar, de tentar virar o jogo, ou de simplesmente manter um humor melhor. Nós merecemos.
terça-feira, 14 de agosto de 2012
Freedom
terminei muito recentemente de ler este romance, e além de constatar que o mundo rouba muito da minha concentração e atenção, e de velar por alguns dias o fim da minha convivência com tão queridos personagens, algo na minha cabeça clicou. desviando um pouco do batido e do clichê, minha mente começou a costurar.
nossos personagens vivem num mundo de abundância. de repente, tudo está acessível a todos, mas no fundo, no fundo, todos nós sabemos que não é assim. e pra você ser rico, por exemplo, alguém é pobre.
mas cá está a vida, e há 5 anos atrás, tudo o que eu tinha diante de mim se resumia a uma palavra: liberdade.
no fim das contas, eu tive a liberdade de ser deprimida. liberdade pra ser megalomaníaca. meu ego obteve total liberdade. liberdade pra tomar 2 litros de pepsi (até eu descobrir que tinha doença de menière).
não havia negociação, apenas liberdade.
mesmo tendo um emprego, mesmo quem trabalha lá suas 9 horas por dia possui a liberdade de gastar todo o seu dinheiro em bebida, em comida, em balada.
mas o que eu estava fazendo? faltou a liberdade de ser dono de si mesmo.
criar alguma autoridade dentro de si, me parece, atualmente, uma das tarefas mais complicadas do mundo.
e de repente, minha grande amiga luana aparece com uma frase de um dos meus autores preferidos, hermann hesse:
"Nada lhe posso dar que já não exista em você mesmo. Não posso abrir-lhe outro mundo de imagens, além daquele que há em sua própria alma. Nada lhe posso dar a não ser a oportunidade, o impulso, a chave. Eu o ajudarei a tornar visível o seu próprio mundo, e isso é tudo."
quem compartilhou desta angústia comigo foi minha queridíssima amiga mariana, a quem eu devo a força de poder escrever essas palavras.
e quem gostaria disso talvez seja o próprio jonathan franzen!
essa sensibilidade alemã (que me faz tanta falta ultimamente) é o reduto do processo da descoberta de si. algo nada fácil, nada que se possa comprar na loja mais próxima, nada que não deixe marcas. e as marcas a gente escreve.
mas é somente se conhecendo (venho pegando prática), somente revirando dentro de si (às vezes você pode achar o que sempre esteve se perguntando), somente ao longo dos anos que a gente consegue estabelecer cada vez melhor a nossa serenidade e pode negociar com todos esses elementos que estão aqui, à espera.
esse é o meu processo. vou chegando cada vez mais perto (apesar de longe).
nossos personagens vivem num mundo de abundância. de repente, tudo está acessível a todos, mas no fundo, no fundo, todos nós sabemos que não é assim. e pra você ser rico, por exemplo, alguém é pobre.
mas cá está a vida, e há 5 anos atrás, tudo o que eu tinha diante de mim se resumia a uma palavra: liberdade.
no fim das contas, eu tive a liberdade de ser deprimida. liberdade pra ser megalomaníaca. meu ego obteve total liberdade. liberdade pra tomar 2 litros de pepsi (até eu descobrir que tinha doença de menière).
não havia negociação, apenas liberdade.
mesmo tendo um emprego, mesmo quem trabalha lá suas 9 horas por dia possui a liberdade de gastar todo o seu dinheiro em bebida, em comida, em balada.
mas o que eu estava fazendo? faltou a liberdade de ser dono de si mesmo.
criar alguma autoridade dentro de si, me parece, atualmente, uma das tarefas mais complicadas do mundo.
e de repente, minha grande amiga luana aparece com uma frase de um dos meus autores preferidos, hermann hesse:
"Nada lhe posso dar que já não exista em você mesmo. Não posso abrir-lhe outro mundo de imagens, além daquele que há em sua própria alma. Nada lhe posso dar a não ser a oportunidade, o impulso, a chave. Eu o ajudarei a tornar visível o seu próprio mundo, e isso é tudo."
quem compartilhou desta angústia comigo foi minha queridíssima amiga mariana, a quem eu devo a força de poder escrever essas palavras.
e quem gostaria disso talvez seja o próprio jonathan franzen!
essa sensibilidade alemã (que me faz tanta falta ultimamente) é o reduto do processo da descoberta de si. algo nada fácil, nada que se possa comprar na loja mais próxima, nada que não deixe marcas. e as marcas a gente escreve.
mas é somente se conhecendo (venho pegando prática), somente revirando dentro de si (às vezes você pode achar o que sempre esteve se perguntando), somente ao longo dos anos que a gente consegue estabelecer cada vez melhor a nossa serenidade e pode negociar com todos esses elementos que estão aqui, à espera.
esse é o meu processo. vou chegando cada vez mais perto (apesar de longe).
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
this city is gonna eat you alive
eu tinha toda sorte de planos pra minha volta ao mundo blogueiro. geralmente eu escrevo por um tempo e paro. cada blog tinha seu projeto, motivo pelo qual fiz um novo.
e por quê?
porque eu realmente acredito que o mundo vai me comer viva, se eu deixar. e eu já deixei, e me arrependi.
a cada dia, um pedacinho. é assim que começam as grandes tragédias.
como a nossa relação com o mundo é, por definição, nossa, todos os resultados terão, nessa lógica, resultados apenas em nós. se nós lutamos, esbravejamos, isso nos causa algum impacto. e eu já fui negligente o suficiente comigo mesma, tá na hora de tomar as rédeas. nem que seja aos pouquinhos.
eu tenho um mantra. certo dia, na faculdade, um professor perguntou:
- what happens when you're depressed?
ao que eu prontamente respondi:
- you lose the ability to make meaning.
aprendi isso fortemente com a maria rita kehl. e se tornou recorrente.
"what happens when you're depressed? you lose the ability to make meaning"
a cidade grande nos deprime.
suponho que eu já fosse deprimida antes, mas creio que o estrago fosse menor, em um lugar onde eu possuía limites e menos opções.
mas cá estou, no antro da multiplicidade, da megalomania, do egocentrismo, e complementar a isso tudo, a depressão.
mas acho que o que eu queria dizer é que tudo vai se tornando uma bola de neve. as condições do meu trabalho me oprimem, a cidade me estressa, e eu quero uma válvula de escape. como uns mil bombons e no fundo, o mundo continua o mesmo, mas eu fico gorda.
essas coisas, aparentemente óbvias, são o ponto-chave das complicações que eu tenho com a vida, com o mundo. eu só posso me responsabilizar pelo meu setor. e o meu setor vai desaparecer, se eu sigo me aniquilando quando o mundo me dá porrada, se eu não revido e me mostro como um oponente forte.
eu preciso ir contra o mundo nessa. e obrigada, bradbury.
e por quê?
porque eu realmente acredito que o mundo vai me comer viva, se eu deixar. e eu já deixei, e me arrependi.
a cada dia, um pedacinho. é assim que começam as grandes tragédias.
como a nossa relação com o mundo é, por definição, nossa, todos os resultados terão, nessa lógica, resultados apenas em nós. se nós lutamos, esbravejamos, isso nos causa algum impacto. e eu já fui negligente o suficiente comigo mesma, tá na hora de tomar as rédeas. nem que seja aos pouquinhos.
eu tenho um mantra. certo dia, na faculdade, um professor perguntou:
- what happens when you're depressed?
ao que eu prontamente respondi:
- you lose the ability to make meaning.
aprendi isso fortemente com a maria rita kehl. e se tornou recorrente.
"what happens when you're depressed? you lose the ability to make meaning"
a cidade grande nos deprime.
suponho que eu já fosse deprimida antes, mas creio que o estrago fosse menor, em um lugar onde eu possuía limites e menos opções.
mas cá estou, no antro da multiplicidade, da megalomania, do egocentrismo, e complementar a isso tudo, a depressão.
mas acho que o que eu queria dizer é que tudo vai se tornando uma bola de neve. as condições do meu trabalho me oprimem, a cidade me estressa, e eu quero uma válvula de escape. como uns mil bombons e no fundo, o mundo continua o mesmo, mas eu fico gorda.
essas coisas, aparentemente óbvias, são o ponto-chave das complicações que eu tenho com a vida, com o mundo. eu só posso me responsabilizar pelo meu setor. e o meu setor vai desaparecer, se eu sigo me aniquilando quando o mundo me dá porrada, se eu não revido e me mostro como um oponente forte.
eu preciso ir contra o mundo nessa. e obrigada, bradbury.
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