segunda-feira, 20 de agosto de 2012

beware of darkness

I never knew that life was loaded
I'd only hung around birds and bees
I never knew that things exploded
I only found it out when I was down upon my knees
Looking for my life.

Eu tou tentando. Eu estou indo nos médicos. Confesso que detesto o método de tentativas e erros dos médicos, mas paciência. Muita paciência pra todos nós.
Eu não ia escrever hoje, tinha chegado à conclusão de que não tinha nada pra dizer. Cheguei em casa e dormi, dormi demais, sonhei que estava acordando diversas vezes, o que é uma das minhas sensações mais esquisitas na vida. Acordei meio desnorteada, e ainda confusa, perdida.
Eu me deixei levar pelas coisas. No fim do dia, além da dor de cabeça, me senti muito frustrada, senti que havia me entregado. É como estar na marcha automática, mas no sentido mais negativo possível.

Well, you do what you can
You can't do much more than that

E aí eu me dei conta de que não somos mais do que fantoches. As pessoas falam sobre tomar o controle da sua própria vida, mas isso, a meu ver, é no sentido de render mais, dar mais dinheiro pra quem já tem, e com menos gastos. Uma pessoa que funciona bem, funciona bem pelo bem do seu empregador, ou da instância acima dela. Eu acho que o controle que se deve ter seria no sentido de não deixar tomarem vantagem de você, muito menos por tão pouco. Se preservar, de verdade.
Continuo um pouco estressada. Mas eu vi uma foto do George Harrison sorrindo, e isso já bastou pra me levar pra outro lugar. E aí eu me lembrei que uma música como Cockamamie Business existe! Eu gostaria de assinar embaixo dessa letra e levar comigo numa pasta. Que sorte ter acesso às músicas do George. Que maravilha é a presença dele.


Isn't it a pity
Isn't it a shame
How we break each other's hearts
And cause each other pain
How we take each other's love
Without thinking anymore
Forgetting to give back
Isn't it a pity

Without thinking anymore. That's it, George. Eu acho que, com o meu blog, com o ato de escrever, eu consigo ter uma consciência mais viva das coisas. Sempre soube que escrever era esse ato, capaz de mudar tudo, mas pra sentar e escrever tudo o que importa, é preciso paciência e realmente querer...

domingo, 19 de agosto de 2012

the sound of sunday.

hoje, então, completei uma semana escrevendo. não é que eu tenha perdido horas do meu tempo, tem sido um processo relativamente tranquilo, os meus únicos problemas são a voz que surge quando escrevo e o medo de parecer incrivelmente banal.
talvez eu não possa mais escrever todos os dias, pode ser que viaje, e deveria me focar nas minhas leituras, mas qualquer coisa eu também sempre tenho meus cadernos.
eu fui dormir às 10h da manhã, hoje. curiosamente, não me senti mal nem nada, fora o sono incrível. às 7h da manhã, só era eu tentando ficar acordada, e a luz entrando pelas janelas, e a paz dominical.
os domingos geralmente são relativamente silenciosos.
mas algo estava fora de ordem. primeiro, em são paulo, domingo é um dia agitado pra uma grande parcela de pessoas que trabalham e já estão correndo desde cedo. segundo, ao chegar em casa, eu vi lixo, lixo e mais lixo. e os garis limpando a bagunça dos adolescentes da noite anterior. um grande número de garrafas quebradas. me parece que faltou um pouco de delicadeza por aí.
segue a obra na minha rua, mas uma parte está interditada. a rua é minha, pra atravessar sem nem olhar pros lados.
ontem eu quis beber, esquecer um pouco de tudo e todos; mas curiosamente, a certo ponto da noite, percebi que companhia agradável já é algo capaz de trazer alegria e bem-estar.
eu também pensei que somos uns seres um pouco bestas, um pouco frágeis, e suscetíveis a qualquer aparente oportunidade ou golpe de sorte. assim é a disposição humana, fugidia, errante.
mas quando você sabe o que quer, ou pensa que sabe, as coisas são mais simples.
mesmo assim, estamos sempre rodeados de MEDO: medo de dar errado, medo de queimar a cara, medo de parecer algo que teoricamente não somos.
no entanto, não há nada mal em ser consistente. ter fibra e coragem.
eu me sinto velha. mas é mais uma constatação serena do que tudo.
mas não há mais nada de errado em completar o branco com palavras.

There will be time to murder and create,
And time for all the works and days of hands
That lift and drop a question on your plate;        
Time for you and time for me,
And time yet for a hundred indecisions,
And for a hundred visions and revisions,
Before the taking of a toast and tea.

sábado, 18 de agosto de 2012

Demian

Hoje eu consegui dormir em meio a obras de madrugada, gente buzinando sem fim, gente gritando. Acordei pronta pra outra, espreguicei, e dormi um pouco mais, porque é sábado e cá estou eu: viva e seguindo mais um dia.
Ontem eu encontrei as cartas da Marianinha, e o assunto comum de todas elas era o nosso querido Demian, do Hermann Hesse. Imediatamente eu soube que as coisas não iriam parar por aí.

Quem quiser nascer tem que destruir um mundo.

O Hesse botou as coisas em termos simples, assim. E era do Hesse que eu precisava.
Quando eu entrei na faculdade, eu achei que tinha achado o meu lugar. Eu achei pessoas legais. Imediatamente me senti um Sinclair, "voltando" pra casa, ou seja, se reunindo com Max e Eva. E essa é a parte que sempre me chamou a atenção, como se eu fosse achar minha casa, em algum lugar. Way over yonder. Agora eu não sei se isso é mais possível, mas ao mesmo tempo, a minha casa está dentro de mim. E é o que eu preciso lembrar dia após dia, nada está além de mim, tudo está aqui. Fique calma, e olhe pra dentro.
E quando as coisas chegam ao ponto em que chegaram, assim como a fênix, é hora de renascer.

Se o meu mundo tiver que ser um romance, que seja um bildungsroman.

Without going outside, you may know the whole world. 
Without looking through the window, you may see the ways of heaven. 

The farther you go, the less you know. 

Thus the sage knows without traveling; 
He sees without looking; 
He works without doing.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

it's getting better all the time

estou prestes a pegar folga do meu trabalho. do infortúnio, eis que me surge uma felicidade.
é bom pra respirar (e resolver trezentas outras coisas que eu estava renegando porque tinha que cumprir minhas horas de estágio).
depois de toda uma odisseia, que, meus caros, é nada mais nada menos do que um dia na vida, eu cheguei a uma conclusão importante. não é que eu não goste de certas pessoas. eu não gosto é da posição em que ficamos. onde um tem que ser assim, outro assado. ninguém para pra pensar, talvez seja demais, mas na bola de neve que as coisas tendem a se tornar, talvez valha a pena ser sensato, agradável.
cheguei em casa hoje e peguei minhas cartas: contas a pagar & etc. vim abrindo os envelopes, e um homem consultando um palm também esperava o elevador; eu dei aquele espasmo facial que significa um reconhecimento de que há outro humano no mesmo recinto que eu, mas por algum motivo, o homem me pareceu muito simpático e sei lá, jovem, apesar de ser bem mais velho, da idade do meu pai talvez. eis que subimos, eu lendo minhas coisas, e ao chegar no terceiro andar, esse moço vira, olha pra minha cara, sorri e diz "tchau". eu já estava predisposta a ser mais legal, mas diante de tanta simpatia, por que não? dei o meu melhor.
algumas pessoas que eu costumava simplesmente não ir com a cara, me parecem ok. eu não sei quanto tempo esse meu humor mais simples e clean vai durar, sinceramente. eu continuo ainda suscetível ao stress, mas as outras pessoas, elas só são. se elas são assim, é por algum motivo na existência delas, não que eu queira exatamente destrinchar isso (o que na verdade é o trabalho dos romancistas), mas eu também não estou lá dentro da cabeça delas pra saber. geralmente, trata-se de uma realidade distinta da minha.
e foi assim que eu resolvi escrever meu post de hoje, partindo do inesperado, da boa vontade alheia, da benevolência que faz com que alguém não decida ser antipático com você por qualquer motivo.
na verdade eu estou bem cansada, querendo o meu grupo pra me refugiar do banal; mas esse tipo de equilíbrio cósmico acho que só me será reservado numa outra realidade, em outro plano.
é isso que acontece, a gente acha que a vida tem que ser que nem nos livros. mas ponto pra quem pensa assim. exijamos o impossível.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

people who do things

na última vez que minha mãe veio aqui, foi só eu sair de casa, que ela largou o livrinho no sofá e foi direto limpar tudo o que era absurdo eu não ter limpado. voltei, o almoço estava pronto e ela tinha provavelmente tricotado um pouco. mas minha mãe também sofre de melancolia quando o dia está muito frio...
será que a minha mãe me criou? eu não me lembro de ela ter me ensinado quase nada. a não ser quando eu comecei a perguntar. eu gosto da minha mãe, ela é uma das únicas pessoas que vão sempre me aceitar num estado bruto, sem exigir muito em retorno. mas eu me sinto como um potinho de células se multiplicando em um canto designado.
eu não posso pretender me classificar como uma pessoa-que-faz-coisas.
é claro, eu não tou também o dia inteiro brincando, as coisas que eu faço geralmente estão dentro da minha cabeça. o dia inteiro, planejando e executando meu dia. pensando nas coisas. repensando nas coisas. pensando por outro lado. minha mãe sabe que existe um motivo pra haver 250 livros ou mais aqui em casa (vim comprando durante os últimos 5 anos - dá 50 por ano).
e esses dias eu estava conversando com D, e cheguei à conclusão final sobre minha vida: eu espero mudar quase que radicalmente muito em breve. eu não tou só matando tempo, eu só preciso das condições. e por enquanto eu tenho tanto pra ler pra faculdade, que eu deveria ser alguém que não faz nada mesmo. se eu quiser me formar.
e ontem dei de cara com uma das citações mais úteis que eu poderia encontrar: "Novels begin, not on the page, but in meditation and day-dreaming - in thinking, not writing."
eu posso não ser uma escritora, mas minha alma com certeza é de uma.

não poderia estar certo, ter crescido sozinha, brincado sozinha, me virado sozinha. meus amigos cresceram num ritmo; eu, em outro. talvez em outra dimensão.
talvez eu tenha puxado mais minha madrinha do que minha mãe. apesar de ter sido frequentemente repreendida por ficar no meu quarto (quer filho mais pacífico que eu?), não é o quarto, sou eu.


hoje em dia eu sou a pessoa que faz um pouquinho mais de coisas. no seu próprio ritmo, distraída. e fazer coisas também é bom pra pensar.

talvez, com o tempo, eu me torne minha mãe, me torne mais e mais responsável e faça mais e mais.
eu acho que as coisas talvez mudem tanto, que eu já sinto falta da minha malemolência, da minha neurose e dos meus livros, da minha cama.

talvez eu esteja nos meus últimos meses de jovem despreocupada.
eu acho que estou até um pouco animada, e dessa vez, pretendo me aplicar.
mas quem sou eu pra afirmar o futuro, me pergunto. o que eu sei é o agora. o resto é estória.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

the home where i hide away from all the darkness outside



Et contre l'implacable
Contre le vacarme du diable
Trouvons du temps pour l'impossible
Pour l'inespéré, pour l'imprévisible

Ando me sentindo mal, no sentido mais físico da palavra. Um dia desses, fui comentar a situação do meu local de trabalho com uma colega, e ela disse: "Calma que vai piorar". E eu sei.
Mas por algum motivo, já há uma confluência de infortúnios que ou eu resolvi ressaltar cada vez mais, ou está atingindo também vizinhos, amigos, colegas. O fato é que ontem eu não consegui me mover muito, hoje, cheguei em casa tal qual um espantalho.
Essas coisas geralmente me deprimem, que nem passar mal sem motivo, se eu não sei nem descrever exatamente o que se passa comigo, quem dirá o médico?
- O que você tem?
- Então, sei lá.
Ou talvez eu só esteja sofrendo de tudo-o-que-há-de-errado-comigo, hipótese bastante plausível.
Mas hoje, após ser bombardeada com tudo o que há de mais aleatório e nonsense na vida, eu só queria chegar em casa, eu pensava em coisas como "é só você ficar quietinha por mais meia hora aqui que você vai embora", o que, convenhamos, é o que há de mais bovino no mundo. Mas isso fica pra outra hora.
Hoje, resolvi compartilhar minhas impressões com a Camila, e a bonita me disse que eu deveria escrever todo dia. Então cá estou, a minha vontade era a de chegar e pular na cama e lá permanecer por décadas, frustrada porque não consigo ler mais do que duas páginas de Jane Eyre por vez, me dissolvendo em cansaço e todo o stress que gosta de se acumular em mim. Mas por algum motivo, me veio esta música da Carla Bruni, e instantaneamente botei pra tocar e me senti melhor, me concentrei nas cores e nas coisas alegres que tenho em casa, meu esmalte novo, meu convencimento de que sei falar francês (curiosamente, só se dá com as músicas da Carla!), os poemas musicados.

And I'll forget the way of tears
And rock, and stir my tea...

E eu me dei conta de que conheço pessoas maravilhosas, pra quem eu me dei ao trabalho de escrever essas linhas, de não me derrotar, de tentar virar o jogo, ou de simplesmente manter um humor melhor. Nós merecemos.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Freedom

terminei muito recentemente de ler este romance, e além de constatar que o mundo rouba muito da minha concentração e atenção, e de velar por alguns dias o fim da minha convivência com tão queridos personagens, algo na minha cabeça clicou. desviando um pouco do batido e do clichê, minha mente começou a costurar.

nossos personagens vivem num mundo de abundância. de repente, tudo está acessível a todos, mas no fundo, no fundo, todos nós sabemos que não é assim. e pra você ser rico, por exemplo, alguém é pobre.
mas cá está a vida, e há 5 anos atrás, tudo o que eu tinha diante de mim se resumia a uma palavra: liberdade.

no fim das contas, eu tive a liberdade de ser deprimida. liberdade pra ser megalomaníaca. meu ego obteve total liberdade. liberdade pra tomar 2 litros de pepsi (até eu descobrir que tinha doença de menière).
não havia negociação, apenas liberdade.
mesmo tendo um emprego, mesmo quem trabalha lá suas 9 horas por dia possui a liberdade de gastar todo o seu dinheiro em bebida, em comida, em balada.

mas o que eu estava fazendo? faltou a liberdade de ser dono de si mesmo.
criar alguma autoridade dentro de si, me parece, atualmente, uma das tarefas mais complicadas do mundo.

e de repente, minha grande amiga luana aparece com uma frase de um dos meus autores preferidos, hermann hesse:

"Nada lhe posso dar que já não exista em você mesmo. Não posso abrir-lhe outro mundo de imagens, além daquele que há em sua própria alma. Nada lhe posso dar a não ser a oportunidade, o impulso, a chave. Eu o ajudarei a tornar visível o seu próprio mundo, e isso é tudo."

quem compartilhou desta angústia comigo foi minha queridíssima amiga mariana, a quem eu devo a força de poder escrever essas palavras.
e quem gostaria disso talvez seja o próprio jonathan franzen! 
essa sensibilidade alemã (que me faz tanta falta ultimamente) é o reduto do processo da descoberta de si. algo nada fácil, nada que se possa comprar na loja mais próxima, nada que não deixe marcas. e as marcas a gente escreve.

mas é somente se conhecendo (venho pegando prática), somente revirando dentro de si (às vezes você pode achar o que sempre esteve se perguntando), somente ao longo dos anos que a gente consegue estabelecer cada vez melhor a nossa serenidade e pode negociar com todos esses elementos que estão aqui, à espera. 

esse é o meu processo. vou chegando cada vez mais perto (apesar de longe).

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

this city is gonna eat you alive

eu tinha toda sorte de planos pra minha volta ao mundo blogueiro. geralmente eu escrevo por um tempo e paro. cada blog tinha seu projeto, motivo pelo qual fiz um novo.

e por quê?
porque eu realmente acredito que o mundo vai me comer viva, se eu deixar. e eu já deixei, e me arrependi.
a cada dia, um pedacinho. é assim que começam as grandes tragédias.

como a nossa relação com o mundo é, por definição, nossa, todos os resultados terão, nessa lógica, resultados apenas em nós. se nós lutamos, esbravejamos, isso nos causa algum impacto. e eu já fui negligente o suficiente comigo mesma, tá na hora de tomar as rédeas. nem que seja aos pouquinhos.

eu tenho um mantra. certo dia, na faculdade, um professor perguntou:
- what happens when you're depressed?
ao que eu prontamente respondi:
- you lose the ability to make meaning.

aprendi isso fortemente com a maria rita kehl. e se tornou recorrente.
"what happens when you're depressed? you lose the ability to make meaning"
a cidade grande nos deprime.
suponho que eu já fosse deprimida antes, mas creio que o estrago fosse menor, em um lugar onde eu possuía limites e menos opções.
mas cá estou, no antro da multiplicidade, da megalomania, do egocentrismo, e complementar a isso tudo, a depressão.

mas acho que o que eu queria dizer é que tudo vai se tornando uma bola de neve. as condições do meu trabalho me oprimem, a cidade me estressa, e eu quero uma válvula de escape. como uns mil bombons e no fundo, o mundo continua o mesmo, mas eu fico gorda.
essas coisas, aparentemente óbvias, são o ponto-chave das complicações que eu tenho com a vida, com o mundo. eu só posso me responsabilizar pelo meu setor. e o meu setor vai desaparecer, se eu sigo me aniquilando quando o mundo me dá porrada, se eu não revido e me mostro como um oponente forte.

eu preciso ir contra o mundo nessa. e obrigada, bradbury.