terça-feira, 14 de agosto de 2012

Freedom

terminei muito recentemente de ler este romance, e além de constatar que o mundo rouba muito da minha concentração e atenção, e de velar por alguns dias o fim da minha convivência com tão queridos personagens, algo na minha cabeça clicou. desviando um pouco do batido e do clichê, minha mente começou a costurar.

nossos personagens vivem num mundo de abundância. de repente, tudo está acessível a todos, mas no fundo, no fundo, todos nós sabemos que não é assim. e pra você ser rico, por exemplo, alguém é pobre.
mas cá está a vida, e há 5 anos atrás, tudo o que eu tinha diante de mim se resumia a uma palavra: liberdade.

no fim das contas, eu tive a liberdade de ser deprimida. liberdade pra ser megalomaníaca. meu ego obteve total liberdade. liberdade pra tomar 2 litros de pepsi (até eu descobrir que tinha doença de menière).
não havia negociação, apenas liberdade.
mesmo tendo um emprego, mesmo quem trabalha lá suas 9 horas por dia possui a liberdade de gastar todo o seu dinheiro em bebida, em comida, em balada.

mas o que eu estava fazendo? faltou a liberdade de ser dono de si mesmo.
criar alguma autoridade dentro de si, me parece, atualmente, uma das tarefas mais complicadas do mundo.

e de repente, minha grande amiga luana aparece com uma frase de um dos meus autores preferidos, hermann hesse:

"Nada lhe posso dar que já não exista em você mesmo. Não posso abrir-lhe outro mundo de imagens, além daquele que há em sua própria alma. Nada lhe posso dar a não ser a oportunidade, o impulso, a chave. Eu o ajudarei a tornar visível o seu próprio mundo, e isso é tudo."

quem compartilhou desta angústia comigo foi minha queridíssima amiga mariana, a quem eu devo a força de poder escrever essas palavras.
e quem gostaria disso talvez seja o próprio jonathan franzen! 
essa sensibilidade alemã (que me faz tanta falta ultimamente) é o reduto do processo da descoberta de si. algo nada fácil, nada que se possa comprar na loja mais próxima, nada que não deixe marcas. e as marcas a gente escreve.

mas é somente se conhecendo (venho pegando prática), somente revirando dentro de si (às vezes você pode achar o que sempre esteve se perguntando), somente ao longo dos anos que a gente consegue estabelecer cada vez melhor a nossa serenidade e pode negociar com todos esses elementos que estão aqui, à espera. 

esse é o meu processo. vou chegando cada vez mais perto (apesar de longe).

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