na última vez que minha mãe veio aqui, foi só eu sair de casa, que ela largou o livrinho no sofá e foi direto limpar tudo o que era absurdo eu não ter limpado. voltei, o almoço estava pronto e ela tinha provavelmente tricotado um pouco. mas minha mãe também sofre de melancolia quando o dia está muito frio...
será que a minha mãe me criou? eu não me lembro de ela ter me ensinado quase nada. a não ser quando eu comecei a perguntar. eu gosto da minha mãe, ela é uma das únicas pessoas que vão sempre me aceitar num estado bruto, sem exigir muito em retorno. mas eu me sinto como um potinho de células se multiplicando em um canto designado.
eu não posso pretender me classificar como uma pessoa-que-faz-coisas.
é claro, eu não tou também o dia inteiro brincando, as coisas que eu faço geralmente estão dentro da minha cabeça. o dia inteiro, planejando e executando meu dia. pensando nas coisas. repensando nas coisas. pensando por outro lado. minha mãe sabe que existe um motivo pra haver 250 livros ou mais aqui em casa (vim comprando durante os últimos 5 anos - dá 50 por ano).
e esses dias eu estava conversando com D, e cheguei à conclusão final sobre minha vida: eu espero mudar quase que radicalmente muito em breve. eu não tou só matando tempo, eu só preciso das condições. e por enquanto eu tenho tanto pra ler pra faculdade, que eu deveria ser alguém que não faz nada mesmo. se eu quiser me formar.
e ontem dei de cara com uma das citações mais úteis que eu poderia encontrar: "Novels begin, not on the page, but in meditation and day-dreaming - in thinking, not writing."
eu posso não ser uma escritora, mas minha alma com certeza é de uma.
não poderia estar certo, ter crescido sozinha, brincado sozinha, me virado sozinha. meus amigos cresceram num ritmo; eu, em outro. talvez em outra dimensão.
talvez eu tenha puxado mais minha madrinha do que minha mãe. apesar de ter sido frequentemente repreendida por ficar no meu quarto (quer filho mais pacífico que eu?), não é o quarto, sou eu.
hoje em dia eu sou a pessoa que faz um pouquinho mais de coisas. no seu próprio ritmo, distraída. e fazer coisas também é bom pra pensar.
talvez, com o tempo, eu me torne minha mãe, me torne mais e mais responsável e faça mais e mais.
eu acho que as coisas talvez mudem tanto, que eu já sinto falta da minha malemolência, da minha neurose e dos meus livros, da minha cama.
talvez eu esteja nos meus últimos meses de jovem despreocupada.
eu acho que estou até um pouco animada, e dessa vez, pretendo me aplicar.
mas quem sou eu pra afirmar o futuro, me pergunto. o que eu sei é o agora. o resto é estória.
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